
"As duas peruas Chevrolet, uma verde, outra amarela, cinco homens em cada uma empunhando armas de grosso calibre de canos visíveis nas janelas, bagageiras com jovens ensanguentados que gemiam, os corpos cheios de buracos abertos por tiros, alguns já mortos, aproximavam-se rapidamente do bairro do Paraíso, num ziguezague perigoso no trânsito da cidade”. Esse pequeno trecho, extraído do livro “Autópsia do medo”, de autoria do jornalista Percival de Souza, retrata, fielmente, um período marcante da história brasileira.

O camburão semeava o medo entre bandidos e traficantes, aquele veículo grande e frio que pouco dava mais que os 142 km, parecia voar, suas grandes rodas passavam por cima das calçadas e encurtava os caminhos dos aterrados de medo, os criminosos que não conseguiam fugir.

A policia parecia crescer dentro daquele veículo, dando uma frieza e um poder anormal aos policiais que andassem naquele carro.

Todas as marchas eram sincronizadas, mas o motor permanecia o 4,3-litros, agora com 149 cv brutos e 32,1 m.kgf. Essa perua ou carrinha, logo ganharia o nome Veraneio, em alusão ao uso em lazer, nas férias de verão -- mas foi como "camburão" policial que se tornou mais famosa. Além do amplo espaço interno, para seis ou oito pessoas, tinha a imponência e a robustez adequadas à função.
Sua origem remonta ao final de 1959, quando a General Motors lançou a Amazona. Derivada da picape Chevrolet Brasil, tinha três portas (duas do lado direito). Com bancos para oito passageiros, teve grande aceitação como perua escolar.
No Salão do Automóvel de 1964, junto com a picape redesenhada, foi apresentada a C-1416 (o nome Chevrolet Veraneio só seria adotado quase cinco anos depois do lançamento). Se na parte mecânica não havia grandes avanços, seu desenho era moderno, com linhas retas e quatro portas. Basicamente, o motor era o mesmo da Amazona, mas a suspensão, privilegiando o conforto, passou a usar molas helicoidais e já era independente na frente.



Esse modelo foi produzido em São Caetano do Sul, SP, até o final da década de 80, com ligeiras alterações de estilo (no início e no fim dos anos 70) e mecânica -- uma delas, por ironia, a troca dos quatro faróis por apenas dois, ao contrário do que ocorrera na Amazona. O motor de seis cilindros passou a ser o do Opala, de 4,1 litros, com versões a álcool e gasolina. Houve também o Veraneio a diesel, com o motor do D-10.
A policia durante os anos 70 e 80, através de carros como, Opala,Veraneio ou Camburão, nome popular que define o carro da polícia, e ainda os Santana, que eram carros igualmente rápidos usados em perseguições aos bandidos.
A curiosidade é que esses carros também assustavam o povo, era uma faca de dois gumes. O medo era das duas partes.
O Opala também foi uma grande máquina utilizada pela policia judiciária Brasileira, geralmente era sempre de cor negra, penso que a cor negra era associada a morte pelos civis.
Estes carros usados pela polícia Brasileira estavam associados a morte, nas bagageiras eram comum os indícios de sangue; Muitas almas abandonaram seus corpos nas malas de carros como estes.O povo brasileiro quando via um Opala todo preto ou um Camburão ao virar da esquina, ficavam atentos, era sinal de mau presságio.
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Ainda nos anos 80, estava eu e mais 5 amigos, tínhamos nessa altura todos, entre os 14 aos 18 anos de idade e conhecíamos uma discoteca na Ilha do Governador bem badalada naqueles tempos.
O filho do dono com raízes europeias mas muito simpático e nosso amigo, fazia com que aquele lugar estivesse sempre aberto para nós. Não pagávamos entradas só o que consumíamos.
Certo dia pela primeira vez resolvemos sair mais cedo e fazer a habitual caminhada de 3 quilómetros de volta a nossas casas.
Fomos surpreendidos numa esquina por seis jovens que teriam entre os 10 aos 16 anos, 2 deles nos apontaram cada um, uma "38" e pediram logo as carteiras e a minha camisa.
Era uma estrada de muita passagem, os carros não paravam de passar ate que apareceu um velhote de bicicleta e antes que ele se pusesse em fuga, recebeu uma coronhada na cabeça, os carros começavam a passar e eles entraram em pânico e fugiram num carocha 1300.
No meio da confusão recuperei a minha camisa, mas perdi juntamente com os amigos o dinheiro.
Voltamos para a discoteca e comunicamos o assalto. o dono da discoteca telefonou logo à um amigo da polícia que apareceu rapidamente.
O polícia, interrogou-nos e disse que nos levava em casa, mas antes ouvi o dono da casa nocturna dizer ao polícia: "Se os encontrar Mata-os".
Entramos naquele poderoso "CHEVROLET" branco e azul que rapidamente percorreu todas as ruas principais da Ilha do Governador. O agente só perguntava se conseguíamos ver o carro e os assaltantes, dentro de mim só desejava que não os encontrasse.
Íamos a grande velocidade e cheio de medo, sabíamos que poderíamos ser testemunhas de um crime ou acabarmos mortos num tiroteio, mas graças a Deus não vimos ninguém e acabamos em nossas casas.
Quem viajou num camburão a alta velocidade sabe o que é ter medo e com certeza pensa ou pensou muito na vida.
Este veículo sempre esteve associado ou ligado à morte no RJ, daí o respeito da malandragem e da população.
Na Judiciária, os carros também eram pretos e os "OPALAS" eram também tradicionais. Lembro-me de bons rapazes que para lá entraram, suas doces feições mudaram rapidamente, a frieza tomou conta dos seus rostos, o cheiro de pólvora e metal eram constantes. Todo aqueles valores de escola e de família que outrora era pregado aos ouvintes do bairro se perdeu, nunca mais voltaram a serem os mesmos e parte deles já não estão vivos.
Estar do lado oposto a lei, é perigoso mas estar do lado da imposição da lei também não é saudável. A vida é demasiadamente curta para quem vive nessas andanças e para o povo em geral, não passam de possíveis vítimas de tiros perdidos.
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